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Lagarto, 23-06-2017

Nossa Língua tão Portuguesa

Rusel Barroso, 11 de abril de 2010

Para os admiradores do nosso idioma, há sempre um grande entusiasmo ao tratar do assunto. Quando o adepto é lagartense, esse contentamento é ainda maior, pois em Lagarto nasceu Laudelino de Oliveira Freire, um dos maiores lexicógrafos do nosso vernáculo, responsável pela elaboração e supervisão do primeiro dicionário de português do Brasil: Grande e Novíssimo Dicionário da Língua Portuguesa. É importante reconhecer que suas obras não se perderam no tempo, continuam indeléveis e como fonte de apoio às grandes pesquisas de estudiosos e eruditos.

Recentemente, Brasil e Portugal, mais uma vez renderam-se à importância dos escritos de três lagartenses: Laudelino Freire, Sílvio Romero e Aníbal Freire, através de duas obras monumentais – o DICIONÁRIO HOUAISS DA LÍNGUA PORTUGUESA e o NOVO AURÉLIO SÉCULO XXI: O DICIONÁRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA. Este, portador de 435.000 verbetes, definições e locuções, 110.000 etimologias, com a origem e formação das palavras, 54.000 exemplos e abonações de mais de 1.400 autores, bem como ortografia, usos e significados das palavras nos países de língua portuguesa; aquele, com mais de 228.000 verbetes e mais de 380.000 definições.

O Aurélio Século XXI, referendado pela Academia Brasileira de Letras, Academia Brasileira de Filologia, Academia de Ciências de Lisboa e pela Hispanic Society of America, menciona Aníbal Freire e Sílvio Romero em sua Bibliografia e faz alusão a Laudelino Freire em sua Nota Editorial, nas primeiras páginas do dicionário.

“[…] obra inteiramente revista e ampliada com base no português contemporâneo, mas que concilia palavras e significados do presente com aqueles utilizados na literatura do passado. Verdadeiro código da língua falada e escrita no Brasil e mesmo nos demais países de língua portuguesa, o Dicionário Aurélio é, às vésperas do século XXI e do terceiro milênio, o principal herdeiro e atualizador da linhagem lexicográfica representada por Morais Silva, Caldas Aulete, Laudelino Freire, Cândido de Figueiredo e tantos outros que se preocuparam em fazer um inventário abrangente dos termos da nossa língua, seus significados e empregos”.

Para se ter uma ideia da atenção dispensada à obra de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, a lexicógrafa Marina Baird Ferreira, viúva do escritor, trabalha com sua equipe no Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa desde 1966.

Segundo os editores, o Dicionário Aurélio Século XXI chega ao público reafirmando o compromisso de não poupar esforços na pesquisa do melhor produto. Acrescentam ainda que o dicionário ficou mais legível, mais fácil de pesquisar.

Lamenta-se que os melhores dicionários brasileiros não estejam disponíveis em Portugal, a exemplo do Aurélio, uma obra também lançada em CD, e que traz todas as variações do português lusitano e do português tropical.

O Dicionário Houaiss, concebido por um filólogo brasileiro, dada a sua qualidade e abrangência extraordinárias, conquistou o apoio e a chancela do Instituto Camões e do Instituto do Livro e das Bibliotecas (órgãos do Governo de Portugal), da Academia das Ciências de Lisboa, da Fundação Calouste Gulbenkian, assim como de empresas privadas portuguesas para a elaboração da sua versão, a ser publicada em Portugal. Este dicionário, cuja magnitude não se pode mensurar, é portador de informações preciosas extraídas da obra Gallicismos, de Laudelino Freire.

O Houaiss é, sem dúvida, o dicionário mais bem cuidado da língua portuguesa na atualidade. Entre os pontos que o diferenciam dos demais, podemos citar: pronúncia correta, data em que o vocábulo entrou no português, fonte dessa datação, plural com sentido próprio, variantes e afins, localização regional, ortografias históricas, vozes de animais, origem da palavra e outras informações indispensáveis para o uso da língua.

Concebido como um dicionário lusofônico, está impregnado de palavras usadas nos Açores, Ilha da Madeira, regionalismos brasileiros e portugueses e palavras específicas do universo vocabular de São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola, Moçambique, Índia, Macau e Timor Leste.

Para o lançamento desta obra, linguistas, filólogos e redatores brasileiros e portugueses também contaram com a participação de colaboradores de países e regiões citados acima.

O padrão de qualidade do conjunto de pesquisa que compõe o dicionário nos permite compará-lo aos mais eficientes do mundo. O rigor das informações o torna um divisor de águas que nos apresenta um novo paradigma de conhecimento na língua portuguesa.

Antônio Houaiss era muito dedicado à arte de escrever e costumava dizer que “quanto maior a desinformação do usuário, maior o desamor por aquilo que é o meio mais eficaz de comunicação entre os falantes de qualquer nação, a sua própria língua”.

Dos primórdios à contemporaneidade, os ecos somam-se às letras, mas jamais as sobrepõem. Como nada é perfeito há dois pontos para serem levados em consideração na hora da compra: O Novo Aurélio Século XXI, apesar de bem encadernado e legível, traz uma capa simples e frágil, que deixa de conferir a autoridade que a obra merece; o Dicionário Houaiss, cujo cuidado de ilustração, capa e encadernação são primorosos, também apresenta um senão logo percebido pelo leitor – as fontes utilizadas para impressão das palavras são de tamanho muito reduzido, o que dificulta sobremodo a leitura, especialmente à noite.

Que fique claro para o leitor, que as observações aludidas neste artigo têm um único objetivo, o de mostrar que estamos diante de duas obras de valor extraordinário e que merecem recomendação.

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REFERÊNCIAS

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Aurélio Século XXI: o dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.

HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2001.

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