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Lagarto, 19-11-2017

Lagarto e suas tradições populares

Rusel Barroso, 17 de abril de 2010

(Publicado na Revista Cidade – Ano I – Cultura – Julho 2009)

Aniversário da cidade, festejos juninos, comemorações da semana da pátria, festa da padroeira, semana da criança e celebrações natalinas, são algumas das festividades que acontecem em nosso município como parte do legado de riqueza cultural que passa de geração a geração.

A cada ano, nota-se, por parte dos munícipes, uma crescente aspiração de se resgatarem valores que se perderam no tempo ou foram deixados para trás, por alguma razão. Carnavais de rua e de clube são exemplos desse saudosismo, de uma época em que pais e filhos, amigos e familiares brincavam nas ruas de um Lagarto admirado por visitantes que vislumbravam tamanha alegria em sua comunidade.

Recentemente, os festejos de São João acenderam essa chama de orgulho dos lagartenses de mostrarem aos turistas que, em sua terra, há um respeito singular à preservação da história, por mais que alguns ainda não compreendam seu verdadeiro significado.

Neste mês, de célere período de férias escolar, nossa gente já se organiza para outras festividades, como por exemplo: no âmbito religioso, os fiéis católicos preparam a Quermesse e as saudações a Nossa Senhora da Piedade; na esfera educacional, os estudantes promovem ensaios de banda com grupos desportivos e de comissões de frente que se formam para levar às ruas cores e música que há anos fazem a exultação de crianças, jovens e adultos; no campo cultural, a vaquejada e a tradicional exposição-feira de animais que, no limiar das estações, também entusiasmam seus participantes.

A Quermesse, criada há mais de 10 anos pelo então vigário paroquial, Mons. Mário Rino Siviéri (hoje bispo de Propriá), tornou-se o maior evento em prol da Festa de nossa padroeira: uma concentração de católicos que reúne artistas de Lagarto e região, na Praça da Matriz, com apresentações culturais realizadas no mês de agosto.

A Vaquejada e a Exposição-Feira de animais estão entre as mais antigas festividades do calendário turístico do município. A primeira, que consiste na derrubada de touros e em shows populares, há muito acontece no local que hoje recebe o nome de Parque Zezé Rocha, na última semana do mês de agosto; a Exposição-Feira de Animais, cujos esforços de seus organizadores ainda reúnem grandes expositores do Brasil, marca sua abertura e encerramento com a presença de autoridades e das melhores bandas marciais das escolas de Lagarto. Que se confirme a necessidade de a Secretaria de Agricultura alavancar uma nova política de incentivo para que se mantenha o traço principal do evento, a exibição de animais, aos poucos substituída por outras atrações.

Na Parada de 7 de setembro, escolas e instituições da terra e de outros municípios sergipanos, unem-se para mostrar ao público parte do seu civismo e das riquezas de suas tradições populares. Os esforços e a bravura dos estudantes e envolvidos no desfile mostram a ousadia do enfrentamento a tantos obstáculos – singularmente os econômicos -, para saírem na avenida e proporcionarem alegria a tanta gente que, o ano inteiro, espera por esse acontecimento.

Nos últimos anos, infelizmente, alguns dirigentes têm adotado uma prática que subtrai o brilho da grande concentração de estudantes no dia 7 de setembro, a transferência da apresentação de suas escolas para outras datas, alegando a falta de recursos financeiros para as festividades setembrinas. Unidades Escolares como o Colégio Cenecista Laudelino Freire, o Colégio Nossa Senhora da Piedade e o Grêmio Escolar Pequeno Príncipe não podem ficar de fora. Fazemos, portanto, um apelo, para que músicos, comerciantes, promoters, folcloristas e autoridades possam, de alguma forma, contribuir para a melhoria e ampliação do evento. Que se registre a irreparável lacuna deixada pelo encerramento das atividades do Colégio Salete, de Erundina Mota, Anselma Montalvão e Adelina Maria.

A partir de 2001, com o apoio de incentivadores da cultura, a exemplo de Valdiêr Cezar, Joaquim Prata, Emerson Carvalho e Angélica Amorim, nascia o Prêmio Lacertus (do latim, Lagarto). Uma denominação de orgulho à identidade do nosso município, cuja iniciativa, concedida anualmente, por ocasião do desfile, objetivava não apenas despertar em nossos jovens o gosto pelas tradições populares, mas, principalmente, integrá-los ao mundo sócio-cultural. Esse prêmio, organizado pela OACI Idiomas, procurava valorizar a manutenção da cultura através da educação em nosso município. Para a realização do Lacertus, a Comissão Organizadora dispunha de um regulamento de classificação das instituições participantes do desfile em quatro categorias: Fidelidade (lealdade ao momento histórico); Criatividade (nos aspectos folclóricos, esportivos e inovadores); Comissão de Frente (cadência, harmonia e elegância dos integrantes) e Banda Marcial (sua musicalidade e organização), sem se esquecer das Menções Honrosas aos agraciados das esferas: social, educacional e cultural. Vale ressaltar que a OACI suspendeu o prêmio por algumas razões, mas continua detentora da patente para trazê-lo de volta, a qualquer momento, ou transferi-lo para outra instituição que possa continuar zelando pela seriedade do prêmio.

Outras festividades que merecem ser lembradas são as comemorações de aniversário do município, em abril; a semana da Páscoa e as celebrações natalinas, em dezembro.

Lagarto é detentor de muitas histórias, porém, as mais marcantes, sem dúvida, serão aquelas que contaremos aos nossos filhos e netos no futuro. Destarte, para que isso não se perca, precisamos, a exemplo de Adalberto Fonseca, Onofre Santos, Aglaé Fontes e de outros lagartenses, preservar as nossas raízes, pois, de Cidade Ternura à Universitária, Lagarto continuará a manter vivo o lume de orgulho de sua gente dinâmica e trabalhadora.

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