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Estratégias para elaboração de uma tese

Rusel Barroso, 19 de abril de 2010

O escritor Umberto Eco inicia sua obra conceituando tese e colocando sua utilização, valendo-se da cultura que ostenta, em paralelo a outras. Os escritos deste livro, em particular, não estão no original, mas nos oferece uma tradução minuciosa que nos possibilita a compreensão transparente de sua abordagem.

Eco esclarece que uma tese nem sempre se destina a um mero trabalho de defesa, mas também se volta a um trabalho de pesquisa que visa melhorar o conhecimento do pesquisador em sua área de atuação.

A escolha do tema deve prender-se, principalmente, ao interesse do candidato, vez que este, ao debruçar-se no trabalho, sente-se inteiramente identificado com as investigações que este executa. Ao fazer a escolha do tipo de monografia, é aconselhável ao autor, optar pela tese monográfica. Quanto ao tema, pode ser antigo ou contemporâneo, desde que o pesquisador trabalhe sobre um tema contemporâneo como se fosse um antigo e vice-versa.

É aconselhável, ao aluno, ter conhecimento de no mínimo uma língua estrangeira, a fim de que possa adquirir outra visão a respeito da obra. Sendo assim, a leitura no original será sempre mais profunda e sensível do que a de um texto traduzido, equivalente, grosso modo, a um filme dublado, que, muitas vezes, perde o encanto e a sensibilidade naquilo que apresenta. Contudo, o mais importante é que o trabalho monográfico seja feito na própria língua.

Fazer uma tese, na verdade, vai muito além do que compilar dados e reescrever o que já foi dito, é descobrir fatos inéditos e comprová-los de forma transparente.

Um dos pontos positivos da obra está relacionado ao tempo de produção do trabalho monográfico, pois aquele que já teve oportunidade de desenvolver esse tipo de tarefa, sabe perfeitamente da necessidade de, no mínimo, um ano de reflexão e estudo aprofundado, sem se esquecer do seu conhecimento prévio sobre o assunto, para de fato, encontrar-se e sentir-se realizado com o trabalho produzido.

Já que uma tese é um verdadeiro exercício de comunicabilidade, a presença do orientador é fundamental, vez que este não é um mero avaliador da produção, mas alguém cujo papel aproxima-se a de um co-autor.

É importante reconhecer que num trabalho escrito publicado ou a ser publicado, há sempre uma função, seja política ou social.

É de grande relevância o capítulo que trata da redação da monografia, já que mostra, demoradamente, como montar o corpus do trabalho e a linguagem empregada. Reticências e interrogações devem ser evitadas. E, por se tratar de um trabalho social, a presença do “nós” (linguagem na 1ª pessoas do plural) é fundamental para partilharmos o pensamento com quem lê.

O autor também dá importância ao fichamento, apresentando vários tipos de fichas e para que elas servem. Este recurso é responsável pela organização das idéias de quem escreve.

Umberto Eco, vez por outra, toma a posição de conselheiro em sua obra: “Quanto melhor elaborado for o fichário, mais um arquivo bibliográfico poderá ser conservado e integrado por pesquisas posteriores ou emprestado (ou mesmo vendido): razões de sobra para elaborá-lo bem e de forma legível.” (p. 47); outras vezes, nos chama a atenção: “Cuidado ao citar um autor antigo de fontes estrangeiras. Culturas diversas dão nomes diferentes ao mesmo personagem. Os franceses dizem Michel-Ange enquanto nós dizemos Michelangelo.” (p. 139)

O autor critica o fato de haver inúmeras citações no corpus do trabalho. Apresenta exemplos enfadonhos, sendo assim, um tanto técnico, o que faz a sua obra parecer um manual.
Não obstante o autor mencionar a importância da abordagem de sua 1ª edição, há complexidade e irrelevância ao fazê-lo, vez que tal processo não interfere no aproveitamento de quem se debruça para conhecer a produção.

Em sua análise objetiva, Umberto Eco conclui seu livro passando aos menos experientes e mesmo aos conhecedores do assunto, que fazer uma tese é algo prazeroso e de uma magnitude incomensurável.

A tradução do texto traz uma linguagem objetiva e muito circular, que facilmente no leva a compreender o que está escrito, apesar de que o trabalho gráfico mereceria maiores cuidados. A capa, por outro lado, demonstra a circunspecção do projeto.

Vale a pena ser lido, especialmente por aqueles que valorizam a composição de obras e buscam ampliar os seus horizontes na produção de textos literários e/ou científicos.

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