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Lagarto, 13-12-2017

Entre os sergipanos de sucesso, Maria Dealves se destaca no cenário nacional

Rusel Barroso, 28 de junho de 2011

Extraído da Revista Cidade, Cultura, Ano I, Nº 5, Outubro de 2009

 

Nesta edição, falaremos da atriz, cantora, instrumentista, dançarina e professora de interpretação, Maria Alves, personalidade marcante nascida em Lagarto (SE), aos 7 de novembro de 1947.

Conhecida no meio artístico como Maria Dealves, passou a adotar esse nome após estudo de numerologia, seguindo a mesma linha e tendência de outros artistas.

“Lana, Rainha das Amazonas” foi o primeiro filme em que Maria estreou, com breve participação numa coprodução alemã com a Atlântida, ao lado de Cyll Farney e Géza Von Cziffra, em 1964. Contudo, seu sucesso só veio à baila no filme “Perdida”, de Carlos Alberto Prates Corrêa, em 1973, quando eleita melhor atriz coadjuvante pela Associação Paulista de Críticos de Arte, indicação que lhe rendera o olhar de cineastas importantes, como Bruno Barreto, Hector Babenco e Walter Salles. Convém lembrar, no entanto, que foram Carlos Hugo Christensen e Zelito Viana, os primeiros diretores a acreditarem em seu potencial no cinema, essa indústria dispendiosa, carente do trabalho em equipe. Estava então comprovada a relevância dos coadjuvantes no elenco de um filme, fato reconhecido por premiações internacionais, a exemplo do Oscar e Globo de Ouro, que evidenciam o trabalho dessa categoria, em cujo contexto a atriz Maria Dealves é presença marcante no Cinema Nacional. Registre-se, pois, que a sua carreira, da metade dos anos 60 até a produção atual, é laureada de aplausos por toda a sua extensão.

Sua atuação na televisão, teve início em 1970 na novela “Irmãos Coragem”, da TV Globo. Depois disso, Dealves se dedica a outros trabalhos, somente retomando sua participação em novelas em 1979, quando reaparece em “Marrom Glacê” e em outras produções, a exemplo de “Baila Comigo” (1981), de Manoel Carlos, por cuja atuação recebeu o Prêmio Coadjuvante de Ouro, de Artur da Távola; “Sol de Verão” (1983); “Voltei pra você” (1983); “Tenda dos milagres” (1985); “O Tempo e o vento” (1985); “Selva de Pedra” 2ª versão (1986) e “Mandala” (1987), além de seriados e especiais que contaram com o seu trabalho nos anos 80 e em outras décadas.

Pela primeira vez, em 1989, Maria Dealves atua fora das telas da Globo. A convite da TV Manchete, ganha o papel de Isaura na novela “Kananga do Japão”, emissora da família Bloch, que lhe rende atuação nas minisséries “Rosa dos Rumos” (1990), através da personagem Maurina, e “Rede de Intrigas” (1991), ano em que retorna à Rede Globo e, com sua credibilidade em alta, é levada às novelas “Felicidade” (1991), “Fera Ferida” (1993), “A viagem” 2ª versão (1994) e “História de Amor” (1995).

Vale ressaltar que o trabalho de Maria Dealves não se limitou a minisséries e novelas, pois ela participou de inúmeros musicais, no teatro, assim como “Hair”, em 1972, apresentado no Teatro Casa Grande (RJ), com um amplo sucesso que a levou a participar de outras peças, a exemplo de “Ai, ai, Brasil!”, “Calabar”, “Gota d’Água”, “Ópera do Malandro”, “Orfeu Negro”, somente para citar alguns trabalhos marcantes.

Walter Avancini, verdadeiro caçador de talentos, convidou-a, em 1996, para interpretar a escrava Rosa, em “Xica da Silva”, na Manchete, uma de suas personagens de maior sucesso, respeito confirmado com a sua chamada de volta à Globo para atuar em “Por Amor”. A Rede Record de televisão também teve o privilégio de sua passagem no elenco de “Louca Paixão”, em 1999. Ainda na Globo, deixou as marcas de seu último trabalho na TV, em 2001, na novela “As Filhas da Mãe”.

No cinema, vários foram os filmes que contaram com a maestria da sua representação, cujas marcas também ficaram impressas em “Se segura malandro” (1978), “Vai trabalhar vagabundo” (1991), “Só Deus sabe” (2006), entre outros.

Com sua larga experiência, roteirizou, dirigiu e atuou no curta-metragem “Elisa” (2001) e no média “Ator Profissão Amor” (2002). Esse último, selecionado para o Festival BR 2003 e a ser exibido na Biblioteca Nacional de Paris, no evento França/Brasil 2005.

De origem humilde, seus familiares ainda residem na Rua do Riachão, em Lagarto. Maria Dealves raras vezes retornou ao seu município, ao que tudo indica pela mágoa do esquecimento dos seus conterrâneos. Essa admirável atriz tomou posse, em 2007, na Diretoria para Assuntos Institucionais do Sindicato dos Artistas do Rio de Janeiro (SATED/RJ). Lutava contra um carcinoma que, infelizmente, levou-a a óbito em 8 de maio de 2008, deixando para trás seu único filho, o músico João Alves, residente na Suíça, reconhecido flautista naquele país, bem como, uma vida de sucesso e de exemplos, calcada pelo respeito e admiração dos que tiveram o privilégio do seu convívio pessoal e profissional.

Seu vasto currículo artístico consolida sua participação em, pelo menos, 20 novelas, 5 peças de teatro e 30 filmes. De seus raros contatos com a nossa gente, dividiu, por vezes, amizade e confidências com alguns amigos, entre eles, Lino Corrêa, o qual, em Lagarto, sua terra berço, esteve com D. Regina, genitora da atriz, em 1991, para lhe levar notícias da amiga. Ambos tinham um projeto para trabalhar juntos num filme que, excepcionalmente, não aconteceu por conta de seu desaparecimento involuntário.

Filmografia – Atriz
2006 – Só Deus sabe (Sólo Dios sabe); 2002 – Ator, profissão amor (curta-metragem); 2001 – Elisa (curta-metragem); 1999 – Mauá: o Imperador e o Rei; 1996 – O lado certo da vida errada; 1995 – Sombras de julho; 1994 – Era uma vez; 1991 – A grande arte; 1991 – Demoni III (U.S.A.); 1991 – Vai trabalhar vagabundo II; 1990 – Brincando nos campos do Senhor; 1987 – Romance da empregada; 1987 – La via dura; 1987 – Damas da noite (curta-metragem); 1985 – Fonte da saudade; 1984 – Histórias de vôos; 1984 – Noites do sertão; 1983 – Para viver um grande amor; 1982 – O bom burguês; 1981 – O seqüestro; 1981 – Mulher sensual; 1979 – Terror e êxtase; 1979 – Gargalhada final; 1978 – Se segura, malandro!; 1978 – O Cortiço; 1978 – Coronel Delmiro Gouveia; 1978 – Alô Alô Tetéia (curta-metragem); 1978 – O gato sem asas (curta-metragem); 1977 – Os Trapalhões nas Minas do Rei Salomão; 1977 – O jogo da vida; 1977 – Gente fina é outra coisa; 1976 – Ladrões de cinema; 1976 – Perdida; 1975 – A extorsão; 1974 – A rainha diaba; 1973 – Os Condenados; 1965 – Crônica da Cidade Amada; 1964 – Lana, Rainha das Amazonas

Filmografia – Diretora
2002 – Ator, profissão amor (curta-metragem)
2001 – Elisa (curta-metragem)

Televisão
2006 – Um menino muito maluquinho (TV Cultura); 2001 – As filhas da mãe; 1999 – Louca paixão (Record); 1998 – A turma do Pererê (TVE Brasil/TV Cultura); 1997 – Por amor; 1996 – Xica da Silva (Manchete); 1995 – História de amor; 1994 – A viagem; 1993 – Fera ferida; 1993 – Você decide; 1992 – Perigosas peruas; 1991 – Felicidade; 1991 – Rede de intrigas (Manchete); 1990 – Rosa dos rumos (Manchete); 1989 – Kananga do Japão (Manchete); 1987 – Mandala; 1986 – Selva de pedra; 1985 – O tempo e o vento; 1985 – Tenda dos milagres; 1984 – Vereda tropical; 1983 – Voltei pra você; 1982 – Sol de verão; 1982 – Lampião e Maria Bonita; 1981 – Baila comigo; 1979 – Marrom Glacê; 1979 – Plantão de polícia; 1970 – Irmãos coragem

Comentários:

5 respostas para “Entre os sergipanos de sucesso, Maria Dealves se destaca no cenário nacional”

  1. Antonio Alves disse:

    Passaram-se vários anos e a saudade me acompanha a cada passo.

  2. Antonio Alves disse:

    Saudades…

  3. Eustaquio Pereira Sobrinho disse:

    Fiquei muito feliz em saber que ela era de Lagarto/SE, pois conheço esta cidade, terra da minha esposa. Eu sou de Minas, mas adoro quando posso dar um passeio por aí, gostaria de saber quem é a família dela. Um abraço

  4. Sérgio Nascimento disse:

    Parabéns pela homenagem prestada! Pena que Maria saiu de cena tão cedo, deixa o exemplo de dedicação à arte, a seu filho João Paulo e saudade aos seus fãs, amigos e parentes, em especial à família Nascimento, que, com essa matéria, teve acesso aos diversos trabalhos realizados por Maria.

  5. Antonio Alves disse:

    Para um breve comentário, a atriz em destaque era minha prima. Nós nos encontramos em Niterói, de 1967 a 1968, quando vim para São Paulo, e nunca mais nos vimos…

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