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Lagarto, 20-08-2017

Lagarto: um pedaço do Brasil, cuja força do seu povo é imensurável

Rusel Barroso, 28 de junho de 2011

Extraído da Revista Cidade, Cultura, ano I, Nº 4, setembro de 2009

 

Em 12 de junho de 2009, o município preparou-se para receber o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Frases foram elaboradas com o intuito de mostrar, em fração de minutos, um pouco de nossa gente ao representante maior do nosso país. Uma delas inspirou-me a escrever uma história que, por certo, traduz esse pensamento admirável, a partir do resgate da memória de um lagartense nascido no lugarejo que hoje denominamos bairro Horta. Refiro-me a Eronides Alves de Oliveira, nacionalmente conhecido como Eron, cujo sucesso, sobretudo na década de 60, difundiu-se até a outros países.

Eronides era um rapaz simples, que deixou sua terra para conquistar outros espaços. Em sua trajetória de comerciante e em meio às dificuldades do dia-a-dia, na grande São Paulo, resolve dar um voo mais alto com a criação de carnês da sorte, cujas vendas ele introduz no mercado em meados dos anos 50, quando concedia até veículos como prêmio, a exemplo de lambretas e automóveis Simca. A partir de sua ideia e do êxito nas vendas, como não poderia ser diferente, surgem as “Cestas de Natal Amaral” e outros carnês.  De olho nesse mundo de ascendência de Eronides, que aos poucos passava a ser chamado de Eron, estava Señor Abravanel, hoje popularmente conhecido como Sílvio Santos, que, seguidor do sucesso do lagartense, adquire essa ideia para o Baú da Felicidade, através de Manoel de Nóbrega (fundador do programa “Praça da Alegria”, atualmente sob o comando do seu filho, Carlos Alberto de Nóbrega, mas com o nome “A praça é nossa”). É sabido que o saudoso Manoel teve dificuldade em dar continuidade aos Carnês por conta do seu envolvimento com diversos assuntos como política, rádio, TV, tudo ao mesmo tempo, além de ter sido enganado por um sócio alemão, com quem fundou o Baú da Felicidade.

Após o desfalque, Manoel de Nóbrega contou com a ajuda do jovem Sílvio Santos, com quem trabalhou no rádio e passou a dividir a sociedade do Baú da Felicidade, após verificar que Sílvio demonstrava grandes habilidades comerciais. O progresso do carnê foi tão grande e rápido que o senhor Manoel entregou sua parte da sociedade a Sílvio, que, com 100% das ações, acelerou ainda mais sua ascensão rumo ao sucesso financeiro. Daí, começaram a surgir outros negócios.

Para quem não sabe, o Baú é um tipo de poupança popular, em que o cliente paga as mensalidades durante um ano e, ao final, resgata esse valor em mercadorias. Um método discípulo da Erontex, que recompensava com cortes de tecidos os portadores de carnês quitados e não premiados com utensílios e veículos. Hoje, é possível adquirir uma série de produtos através do carnê, mas, no começo, havia somente um artigo disponível: uma cesta de Natal com comidas e brinquedos, por isso o nome baú.

É raro encontrarmos um ramo em que o Grupo Silvio Santos já não tenha feito alguma experiência. Na verdade, a diversificação sempre foi um dos atributos desse grupo que nasceu por volta de 1958. Naquele tempo, o negócio dos carnês já despontara com a Erontex no mercado.

Entre as pessoas que trabalharam com Eron, registre-se o senhor Flávio José Rocha, integrante do departamento de contabilidade de sua empresa (1958/1959), quando seu escritório funcionava na Praça Antonio Prado, esquina com a Rua São Bento, 1º andar, em frente ao Prédio Martinelli, em São Paulo. O Sr. Rocha – a quem tributamos o nosso reconhecimento pela contribuição para o enriquecimento desta matéria -, mantinha contatos praticamente diários com Eron e com J. Silvestre, este, garoto propaganda da Erontex da Sorte na TV.

Vale ainda lembrar que artistas de conceito nacional, a exemplo da atriz Neusa Amaral (TV Excelsior – São Paulo), também gravaram comerciais para o nosso Eron.

Apresentações históricas, como a do cantor e pianista Ray Charles (1930-2004), que tocou em São Paulo em setembro de 1963, no auge de sua carreira, com shows gravados e exibidos pela rede de televisão Excelsior, foram patrocinadas pela extinta Erontex.

O cantor Roberto Carlos estrelou filmes na década de 60. O primeiro deles foi o longa-metragem “Roberto Carlos em Ritmo de Aventura”, em que, na cena de embarque do artista a Nova York, sua bagagem é mostrada com selo da Erontex Exportação, imagem que passa um bom tempo em exibição e que se repete, por vezes, em ângulos diferentes. Uma relíquia, hoje gravada em DVD, para eternizar a história do conterrâneo Eron, que, segundo informações, continua no Brasil, em idas e vindas de São Paulo a Brasília, onde ergueu seu Hotel e consolidou sua fortuna, ao que dizem, através da compra de um bilhete de Natal, que estava sendo oferecido no aeroporto e que tripulantes de uma companhia aérea recusaram, por nele haver uma sequência de números iguais, o que o levou a ganhar o prêmio sozinho.

Comentários:

2 respostas para “Lagarto: um pedaço do Brasil, cuja força do seu povo é imensurável”

  1. Eraldo Alves da Cruz disse:

    Prezado, se seu pai é primo do meu tio Eron, somos parentes, porque eu sou filho de uma irmã dele e meu nome também é Eraldo. Você pode me achar pelo e-mail passado ao Portal Lagartonet.

  2. Wellington disse:

    Eron é meu primo. Meu pai, Eraldo Alves do Nascimento, que hoje mora no Rio de Janeiro, fala muito a respeito dele, mas, infelizmente, perdemos contato. Gostaríamos bastante de reaver esse contato. Sendo assim, aguardaremos através do ‘e-mail’ indicado.

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