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Lagarto, 17-10-2017

Colégio Frei Cristóvão: 30 anos formando gerações

Rusel Barroso, 7 de janeiro de 2014

Há três décadas, nascia em Lagarto uma das mais sólidas instituições de educação do nosso município, a Escola de 1º e 2º graus “Frei Cristóvão de Santo Hilário”. Unidade escolar implantada pelo então prefeito Arthur de Oliveira Reis, um homem de poucas letras, mas de visão ampliada, cujo sonho era o de oferecer à comunidade o acesso a melhores escolas com ensino de qualidade. O colégio surpreendeu, pois surgiram alunos do centro e dos arredores, inclusive de outros municípios, que, ao tomar conhecimento do seu projeto, logo se enamoraram pelo estabelecimento.

Em 1984, foi implantado o ensino de 1º grau, da 1ª a 8ª série. Em 1986, surge a primeira turma do 2º grau, cujo curso era o de Formação de Professores para o Magistério de 1ª a 4ª série. Naquela época, mais de 50% dos docentes da rede pública municipal eram leigos. O único curso pedagógico era oferecido pelo Ginásio da Escola Normal Nossa Senhora da Piedade, e não era gratuito. Foi aí que o secretário de educação (Paulo Andrade Prata), o prefeito e a diretora (Maria do Carmo Oliveira) entenderam que a Escola Frei Cristóvão teria mais essa missão: oportunizar tão almejada formação aos professores leigos e demais cidadãos. Desse modo, em 1988, a referida escola vivencia a grande solenidade de conclusão do curso de Formação de Professores para o Magistério de 1ª a 4ª série.

Minha passagem pelo Colégio Frei Cristóvão deu-se de duas maneiras: como professor e dirigente, contudo, o que mais me vem à lembrança é o seu nascedouro, quando na condição de colaborador, tive a satisfação de me somar a grandes amigos, a exemplo de Maria do Carmo Oliveira, Paulo Prata, Gisélia Araújo, Cláudio Monteiro, Celso Milton, Suely Prata, Hilda Alves entre outros companheiros daquela época.

Como eu poderia me esquecer de Seu Pedro, firme no portão; de Seu José de Zilda, com seu chapéu panamá, sempre disposto a contribuir em todos os setores; do fusca que nos conduzia do centro da cidade ao, ainda distante, Conjunto Laudelino Freire. Como eu poderia deixar de lembrar o período de inverno, dos inúmeros grilos e sapos que invadiam a escola, oriundos dos sítios da redondeza. Marcas que não se perderam no tempo, pois constituem um dos mais admiráveis capítulos de sua história.

As primeiras turmas, de alunos surpreendentes, que amavam a escola e davam a alma para vê-la brilhar entre as mais importantes da sede do município. As primeiras solenidades e turmas que concluíam seus cursos com missas realizadas no Rosário e na Igreja Matriz pelo então vigário, Mons. Mário Rino Sivieri e comentários do Prof. Paulo Andrade Prata, que tão bem atuava como mestre de cerimônia com suas mensagens de reflexão, seguidas pela oratória bem pontuada de sua primeira diretora, a Prof.ª Maria do Carmo Oliveira Souza, continuam vivas na memória e nos registros que conseguimos guardar, quando ensaiamos os primeiros passos de cinegrafista amador.

Tínhamos apenas um pavilhão, numa época em que os alunos ainda cumprimentavam os professores e visitantes com gestos de boas-vindas. Ah, que saudade da escola daquele tempo!

Mas o colégio cresceu, evoluiu, tornou-se adulto, independente, mas não perdeu seu dinamismo e juventude. Criaram até Ginásio de Esportes, Banda Marcial, e lá estava o Frei Cristóvão, belo, com seus alunos garbosamente a desfilar pelas ruas do Lagarto, tornando o 7 de setembro um dos mais ecléticos deste imenso país. Nessa ebulição, outros gestores deram sua importante contribuição, a exemplo do dileto Prof. Gilson Alves. Cada um a seu modo, mas com o mesmo desejo de acertar, deixando marcas que pudessem torná-lo cada vez melhor.

Parabéns aos professores, alunos, colaboradores e membros do comitê gestor! E que outros 30 anos sejam comemorados com a mesma altivez daqueles que trazem consigo o conhecimento adquirido nessa instituição, que hoje pertence não apenas a Lagarto, mas ao Brasil, modelo a ser seguido por outras gerações.

Sucesso é o que almejamos e que a Secretaria de Educação do Município possa sempre acompanhar o vigor e a efervescência dessa juventude que continua a acreditar que a escola é, sem dúvida, o maior espaço de crescimento e transformação do ser humano.

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*Professor e pesquisador, sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, fundador da Academia Lagartense de Letras, membro da Associação Sergipana de Imprensa e do Comitê Gestor da Faculdade Ages.

Comentários:

2 respostas para “Colégio Frei Cristóvão: 30 anos formando gerações”

  1. Marcos (ex-aluno do Frei) disse:

    Faço minhas as palavras da professora Maria do Carmo. Os profissionais daquela época carregavam, além do compromisso, o amor pela escola. As aulas eram dadas como o mesmo entusiasmo daqueles que trabalhavam em instituição particular. Nós, alunos, éramos envolvidos nos projetos e seminários. Tocávamos na Banda com o orgulho de levar a escola para a avenida nos desfiles de 7 de setembro. Um tempo muito bom e de boas recordações. Aproveito para deixar um abraço para os meus colegas, aqui lembrados na pessoa do saudoso Manoel Ribeiro. Professores como Celso, Cláudio, Rusel, Gilson, só para citar alguns, dispensam comentários. A diretora Maria do Carmo conduzia os trabalhos com muita responsabilidade e dinamismo. Parabéns pelo texto e obrigado por me fazer viajar no tempo.

  2. Maria do Carmo Oliveira da Fonseca disse:

    Falar a respeito da Frei Cristóvão é lembrar de uma escola que nasceu com o objetivo de resgatar a credibilidade no ensino público municipal. Foi o que aconteceu, sobretudo por ter contado com a contribuição de profissionais do quilate do Prof. Rusel Marcos Barroso. Por ter contado com a determinação do então Prefeito Artur Reis e a competência do então Secretário Municipal de Educação, Dr. Paulo Andrade Prata.

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